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sexta-feira, 6 de junho de 2008

As vozes que ecoam no silêncio do pampa...


Boa tarde Xiruzada,

gostaria de compartilhar com vocês a poesia que meu amigo Marco escreveu essa semana pra mim. Espero que gostem!

Aline


VOZES DO SILÊNCIO

É noite de lua cheia,
O céu está muito azul,
Aqui pras bandas do sul.
Estrelas cintilantes contracenam,
Com os vaga-lumes, que ensaiam,
Um bailado delirante.

O minuano sopra suavemente,
O orvalho despendido da noite,
Transformou-se em geada,
Que deixa a pampa congelada,
Como um lençol branco,
Estendido sobre o campo.

Aqui. Acolá. Ouve-se o mugido
De alguma rês desgarrada.
Ouve-se de um cão o latido.
O muxoxo da coruja esperta,
O quero-quero sempre alerta,
Que é a sentinela dos pampas,

Correndo rasteiro ao chão,
Avisa de qualquer aproximação.



Sentado, ao lado do fogo de chão,

Mateando o chimarrão,
Um gaúcho solitário, lança um olhar,
Para averiguar, o que se passa.
E bem ao longe, lá no horizonte,

Pode perceber como se fosse mágica

Os raios prateados da lua,

Descendo sobre a terra nua,
Desenhando figuras mitológicas.

Nestas noites, de grande silêncio,
Ouve-se as vozes dos combatentes,
Farroupilhas, e o tilintar dos facões
Em batalhas estridentes,
Intermináveis, como furacões.
São as almas dos que tombaram,
Nos combates e ainda procuram,
Os filhos, maridos, esposas, irmãos,
Mães e amigos que ali tombaram.
E se extraviaram, pelas páginas,

Sem recompensa ou glória

De nossa venerável história.



Marco Orsi

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