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quinta-feira, 18 de março de 2010

Doação de orgãos

Pessoal... me emocionei muito com a atitude destes pais... Parabéns!!!

As dificuldades e os benefícios de doar órgãos


Ministério da Saúde monta operação de emergência para que os órgãos de Fernanda, de um ano e dez meses, que morava em Mato Grosso, salvassem vidas em Curitiba e em Porto Alegre.


A morte de uma menina em Cuiabá mostrou, mais uma vez, como o Brasil ainda precisa melhorar o sistema de captação de órgãos para transplantes, mas mostrou, também, como esse gesto pode produzir benefícios para muita gente.

Fernanda, de um ano e dez meses, ficou duas semanas internada. Assim que os médicos confirmaram a morte cerebral, a família resolveu doar os órgãos.

Na primeira pesquisa, a Central Nacional de Transplantes não encontrou nenhum receptor compatível. "Não acredito que num país desse tamanho, com tanta criança na fila, não tenha um que seja compatível com minha filha", desabafou Sirlei Rossi, mãe de Fernanda.

O pai Aguinaldo Aparecido Rossi falou por telefone com um funcionário da central de transplantes. E as notícias não foram boas. "Explicou que não tinha avião, não tinha jeito de ir. Eles me mandaram um documento alegando que a idade da minha filha e a distância seriam empecilhos".

Além disso, havia outro problema. Em Mato Grosso, não há médicos credenciados para fazer transplante em crianças. Os profissionais teriam que vir de outro estado.

"Geralmente, a equipe que vai transplantar, gosta de retirar, Então, geralmente a equipe que faz a retirada é a que transplanta”, explicou Fátima de Mello, coordenadora da Central de Transplantes – MT.

Os médicos mantiveram alguns aparelhos ligados para preservar os órgãos de Fernanda. No último sábado, cinco dias depois da morte, a surpresa. Numa nova pesquisa, a central de transplantes localizou uma criança que precisava dos órgãos.

Maria Eduarda, de dez meses de vida, estava a 1,7 mil quilômetros de distância. Em Curitiba, no Sul do Brasil. O estado de saúde dela era grave. "Ela não teria chance de sobreviver por mais alguns meses", admitiu o cirurgião Júlio César Widerkehr.

Uma operação de emergência foi montada. O Ministério da Saúde providenciou um avião da Força Aérea Brasileira, que saiu de Curitiba. Enquanto os médicos do Paraná estavam voando para Cuiabá, Fernanda era transferida para o hospital onde ia acontecer a retirada dos órgãos.

Já era madrugada quando a equipe médica voltou para Curitiba levando alguns órgãos de Fernanda. O fígado salvou a vida de Maria Eduarda. "Quero agradecer muito a eles por ter feito esse gesto tão bonito de doar os órgãos e salvar outras vidas", disse Vanderléia Rodrigues, mãe de Maria Eduarda.

"Que ela tenha saúde, que consiga fazer o que minha filha não fez, que é cursar uma universidade, casar, ter filhos, dar neto para seus pais, que é o que eu gostaria de ter da minha filha e não vou ter".

Os rins de Fernanda seguiram para Porto Alegre. Duas crianças receberam o transplante: uma de seis e outra de 12 anos.