
Escrever sobre o dia a dia das mães foi para mim uma viagem interior. Em alguns momentos vi a filha que fui e em outros a mãe que sou hoje.
Lembrei-me de que, quando era adolescente, dizia que jamais seria igual à minha mãe. Esta era a minha frase predileta e a de muitas adolescentes iguais a mim.
Tínhamos horror daquele jeito antigo que elas tinham de ser e continuávamos firmes em nossa convicção de que, quando nos tornássemos mães, seríamos totalmente diferentes das nossas.
O tempo passou e, de repente nos vimos às voltas com vestidos de noivas, com véus e grinaldas, tudo igual ao que nossas mães fizeram um dia. De filhas passamos a ser mães e com a chegada do nosso primeiro filho, nossa primeira atitude foi a de recorrermos àquela senhora "quadrada", "antiga", "chantagista"e graças a Deus nossa MÃE.
E assim, fomos obrigadas a admitir que em muitas coisas elas estavam certas.
Dizem que ser mãe é doar-se sem esperar nada em troca, puro engano!
Nós, mães esperamos sim um retorno por tudo que fizemos pelos nossos filhos. Esperamos que eles nos amem também, que nos retornem os beijos e abraços que nunca cansamos de dar-lhes:que retornem nosso investimento,sendo independentes e responsáveis.
Acham que estou pedindo muito? Não, na verdade isto é pouco tendo em vista as cobranças que caem sobre nossas costas de mães. E, aproveito a oportunidade para alertar os filhos de que nós mães, não somos de FERRO, nem INESGOTÁVEIS. Também precisamos de atenção, de carinho, de amor,de colo, de um "bom dia"mais afetuoso, de um beijo inesperado. Também precisamos abastecer nosso reservatório afetivo. Ter filhos é o ponto de reencontro com nossas mães, o recomeço, enfim a retomada do fio da meada que perdemos nos descaminhos de nossas vidas.
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